Temas em debate

 

Dilemas (in)visíveis da formação para a docência nas licenciaturas

Alguns dilemas (in)visíveis à formação para a docência em licenciaturas: baixa adesão de estudantes e egressos à carreira docente; a formação para a docência nos cursos de licenciatura concebida e realizada, muitas vezes, como uma atividade secundária; e, ainda, a formação inicial dos professores nos cursos de licenciatura centrada, amiúde, na ação docente “individual” em detrimento de um contexto de trabalho coletivo.

A formação para a docência exige a “mobilização” dos estudantes para a formação docente. Nesse processo, eles precisam querer e compreender as finalidades da sua formação e ter a possibilidade de (re)descobrir caminhos, ainda que transitórios, de aproximação e identificação com a docência. Com isso, queremos enfatizar que a adesão de estudantes e egressos para a docência não é automática, mas depende de um processo e, continuamente, de uma mobilização.

Parece-nos, assim, se tratar de um processo com duplo movimento: mobilizar-se e mobilizar os estudantes a permanecerem no magistério. Cabe perguntar: como os estudantes podem se comprometer com a formação e a profissão docente se a instituição, muitas vezes, não parece se preocupar muito com ela no contexto das licenciaturas? Outra questão fundamental é a compreensão que a colaboração e a construção de comunidades de aprendizagem, como nos ensina Lee Shulman (1996), tão essenciais para a formação dos professores, exige a consciência de que o convencimento é elemento constitutivo inerente ao processo formativo de cada indivíduo.

Mobilizar para a formação e a profissão docente implica preocupar-se em favorecer uma profunda experiência pessoal-coletiva dos estudantes para a docência. Em vista disso, o processo formativo, constituído nas licenciaturas, tendo em vista a formação integral dos estudantes, há que ser sustentado em motivações verdadeiras, livres e pessoais, marcadas por um clima de liberdade e de reponsabilidade pessoal-coletiva. Nesse processo de mobilização, precisamos estabelecer relacionamentos serenos de abertura, confiança e colaboração mútua.

Pensar a mobilização para a formação e a profissão docente, em tempos desalentadores, sobretudo no Brasil, em que vivemos momentos de grandes desafios à educação pública, é forjar novos sonhos e horizontes para a educação. Em tempos tão desafiadores, utopia e horizonte precisam, mais do que nunca, caminhar juntas nos enchendo de esperança e nos impulsionando a ir construindo novos caminhos na educação. Por isso, estamos convictos de que professores formadores conscientes do seu papel profissional de conduzir, de modo crítico-reflexivo, os estudantes na formação e para a profissão docente são indispensáveis para o fortalecimento da identidade dos cursos de licenciatura, desempenhando papel fundamental nos contextos de formação inicial para a docência.

A  formação dos professores é sempre um tema desafiador e exigente de novos debates e avanços, entendemos que mobilizar para a formação e a profissão docente também é. Assim, para além de discursos de convencimento, mobilizar para a formação e a profissão docente é um compromisso de engajamento docente diário que deve nos conduzir ao compromisso de valorização dos estudantes e da própria profissão.

REFERÊNCIAS:

SHULMAN, L.  Just in case: reflections on learning from experience. In: COLBERT, J.; TRIMBLE, K.; DESBERG, P. The case for education: contemporary approaches for using case methods. Needham Heights, Massachusetts: Allyn & Bacon, 1996. p. 197-217.

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Quem ensina a Didática?

Ensino de Didática na formação docente

Como? Por quê? Qual? Quem? Como é vista a Didática nos cursos de formação de professores? Por que (e qual) Didática na formação dos professores? Qual a relação entre as práticas pedagógicas dos professores formadores e o ensino de Didática? Quem é professor de Didática? Partindo dessas perguntas-guia queremos socializar algumas afirmativas acerca do ensino de Didática na formação docente. Trata-se de argumentos referenciados em circunstâncias práticas de formação docente e construídos a partir de estudos e pesquisas que temos desenvolvidos a partir da atuação em cursos de licenciatura no Brasil.

O ensino de Didática, na formação inicial de professores, abarca uma dimensão de totalidade, articulando-se de forma intrínseca com os diferentes componentes curriculares dos cursos de licenciatura, visando subsidiar os estudantes na aprendizagem da docência. O ensino de Didática, como elemento de intervenção política na formação dos professores, necessita contribuir para uma atuação docente crítica, inovadora e transformadora do processo educativo, incluindo a compreensão das atividades desenvolvidas em sua formação.Ensino de Didática na formação docente: Como? Por quê? Qual? Quem? Como é vista a Didática nos cursos de formação de professores? Por que (e qual) Didática na formação dos professores? Qual a relação entre as práticas pedagógicas dos professores formadores e o ensino de Didática? Quem é professor de Didática? Partindo dessas perguntas-guia queremos socializar algumas afirmativas acerca do ensino de Didática na formação docente. Trata-se de argumentos referenciados em circunstâncias práticas de formação docente e construídos a partir de estudos e pesquisas que temos desenvolvidos a partir da atuação em cursos de licenciatura no Brasil.

Argumentamos ser necessário desenvolver uma formação docente na qual a Didática seja apreendida também a partir das práticas pedagógicas dos próprios professores formadores. Por isso, a defesa da ideia de que o ensino de Didática deve perpassar todos os componentes curriculares dos cursos de licenciatura, sem prejuízo e redução, obviamente, do trabalho específico realizado nas disciplinas de Didática. Em outras palavras, quando se trata da formação docente, não se deve separar o ensino de Didática das práticas pedagógicas dos professores formadores.

Com isso, não estamos enfatizando a necessidade de – tampouco propondo – um novo modelo de ensino de Didática, mas argumentando que a prática pedagógica dos professores formadores é uma importante forma de ensino e aprendizagem de Didática. Isto é, as técnicas utilizadas, os instrumentos avaliativos, as distintas formas como se conduzem as aulas, as anotações de frequência/ausência, as orientações, os exercícios propostos, a contextualização dos conhecimentos, os diálogos, os projetos de pesquisa e extensão, enfim, tudo que se faz como professor formador acaba recaindo e se articulando, de alguma forma, à Didática.

Com efeito, os professores formadores, ao desenvolverem o ato de ensinar, a partir da sua área específica de atuação e formação, promovem a aprendizagem acerca das especificidades pedagógicas da docência. Assim, todos os professores formadores, de certo modo, a partir da compreensão da Didática que dá base para sua prática profissional, são corresponsáveis em promover o ensino de Didática, de modo transversal e dialógico, e em promover um trabalho pedagógico no qual os estudantes possam construir sua identidade profissional docente.

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